Retenção é consequência do sucesso
- Luiz Santiago

- 11 de jun.
- 2 min de leitura

"Como podemos reduzir a evasão?"
Outro dia, durante uma conversa sobre os desafios do ensino superior, ouvi essa pergunta. Minha primeira reação foi responder. A segunda foi questionar a própria pergunta.
Talvez o desafio não seja descobrir como impedir que o aluno saia, mas entender o que a instituição pode fazer para ajudá-lo a alcançar o objetivo que o trouxe até ela.
Essa mudança de perspectiva não é apenas conceitual. Em diversas universidades ao redor do mundo, especialmente nos Estados Unidos, o debate sobre retenção evoluiu para uma abordagem mais ampla, conhecida como Student Success (Sucesso do Estudante). A lógica é simples: a permanência não é o objetivo. É a consequência. Afinal, ninguém se matricula porque deseja permanecer matriculado.
As pessoas ingressam no ensino superior porque desejam conquistar algo: desenvolver competências, mudar de carreira, obter uma promoção, ampliar oportunidades profissionais, conquistar uma certificação ou realizar um projeto de vida.
A retenção deixa de ser um problema a ser administrado e passa a ser uma consequência natural sempre que a instituição consegue manter vivo o objetivo que motivou a escolha do aluno.
Isso não significa ignorar a evasão. As razões podem ser diversas: desde fatores financeiros, profissionais e familiares até questões relacionadas à adaptação acadêmica ou à experiência vivida pelo aluno.
Mas justamente por isso, compreender os fatores associados à evasão e os elementos que fortalecem o vínculo com a instituição deveria ser tão importante quanto acompanhar os indicadores de captação.
Muitas instituições conhecem com precisão o custo para captar um novo aluno. Poucas conseguem mensurar com a mesma profundidade o impacto da evasão sobre sua sustentabilidade acadêmica, financeira e institucional.
Entre as muitas lições que a pandemia deixou para o ensino superior, uma delas continua particularmente atual: a decisão de permanecer raramente é tomada apenas no momento em que o aluno pensa em sair.
Ela começa muito antes, na expectativa criada durante o processo de escolha e na capacidade da instituição de demonstrar, ao longo da jornada, que aquele objetivo continua sendo possível.
Nesse contexto, marketing, relacionamento, atendimento, coordenações acadêmicas e áreas de suporte compartilham uma mesma responsabilidade. Não a de impedir que o aluno saia, mas a de ajudá-lo a perceber valor em sua trajetória. O aluno não abandona apenas uma instituição. Muitas vezes, abandona uma experiência que não correspondeu ao que imaginava encontrar.
Por isso, talvez o debate sobre retenção precise evoluir. Menos foco em impedir que o aluno saia. Mais foco em ajudá-lo a chegar onde pretende.
Luiz Santiago é executivo de Marketing e Comunicação Corporativa, mestre em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero, com mais de 20 anos de experiência na construção de marcas, fortalecimento da reputação organizacional, gestão da imagem institucional e estratégias de crescimento. Saiba mais.





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